quinta-feira, abril 25, 2002

> > Saudade....

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> > "Trancar o dedo numa porta dói.

> > Bater com o queixo no chão dói.

> > Torcer o tornozelo dói.

> > Um tapa, um soco, um pontapé, doem.

> > Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a

> > língua, dói cólica, cárie e pedra no rim.

> > Mas o que mais dói é a saudade.

> > Saudade de um irmão que mora longe.

> > Saudade de uma cachoeira da infância.

> > Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais.

> > Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca

> > existiu.

> > Saudade de uma cidade.

> > Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.

> > Doem essas saudades todas.

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> > Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama.

> > Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.

> > Saudade da presença, e até da ausência consentida.

> > Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem,

> > mas sabiam-se lá.

> > Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade,

> > mas sabiam-se onde.

> > Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo,

> > mas sabiam-se amanhã.

> > Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,

> > ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

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> > Saudade é basicamente não saber.

> > Não saber mais se ela continua fungando num ambiente

> > mais frio.

> > Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa

> > daquela alergia.

> > Não saber se ela ainda usa aquela saia.

> > Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista

> > como prometeu.

> > Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania

> > de estar sempre ocupada.

> > Se ele tem assistido as aulas de inglês, se aprendeu a

> > entrar na Internet encontrar a página do Diário Oficial,

> > Se ela aprendeu a estacionar entre dois carros

> > Se ele continua preferindo Malzebier,

> > Se ela continua preferindo suco,

> > Se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados,

> > Se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor,

> > Se ele continua cantando tão bem,

> > Se ela continua detestando o MC Donald's,

> > Se ele continua amando,

> > Se ela continua a chorar até nas comédias.

> >

> > Saudade é não saber mesmo!

> > Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais

> > compridos,

> > Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o

> > pensamento,

> > Não saber como frear as lágrimas diante de uma música,

> > Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada

> > preenche.

> > Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao

> > mesmo tempo querer.

> > É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo

> > perguntar a todos os amigos por isso...

> > É não querer saber se ele está mais magro, se ela está

> > mais bela.

> >

> > Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim

> > doer.

> >

> > Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o

> > que você, provavelmente, está sentindo agora depois que

> > acabou de ler..."

Miguel Falabella.

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